segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Extinção das mulheres. Será?

Este pequeno artigo tem causado desordem e caos pela internet, e não é por menos: dadas as taxas de natalidade e proporção de nascimento de homens e mulheres, as mulheres deixarão de existir. Eu mesmo não estou nem um pouco preocupado com isso. Estou é preocupado com a quantidade de seres vivos que estão dando crédito pra essa história.

En: Mas esta foi uma pesquisa realizada pela ONU!!

Me: Grandes merdas, pra ser bem franco. Fico até aliviado em saber que (1) alguém na ONU fica fazendo pesquisas inúteis, assim como eu, mas ao contrário, se leva a sério demais ou (2) alguém trollou a Economist bonito!

Mais impressionante ainda é ver gente dizendo "oh, mas isso tem toda a lógica". Vamos, então, usar a lógica de verdade.

Vamos supor que chegamos a situação de ter nascido "a última" mulher de um determinado país, que seja o Zarabequistão do Leste. Oras, se nasceu alguém, é porque existiu algum meio de procriação: ato sexual ou fertilização artificial.

Se tiver sido por ato sexual, é porque algum homem ainda existe na região. Supondo que nenhum problema de saúde afete a fertilidade do(s) homem(ns) e da mulher que gerou a "última" menininha, ainda teremos pelo menos uma mulher fértil, que, se jovem o suficiente e crente da sua importância para procriação e continuação do orgulho do Zarabequistão do Leste, ainda pode ter mais filhotinhas. Sem contar que a menininha que acabara de nascer ainda vai crescer e se tornar fértil. Isso levaria à alta probabilidade de incesto, mas dificilmente iria acabar com a população do Zarabequistão do Leste.

Se a nossa leste-zarabequistanesa nasceu por algum método artificial, é porque muito provavelmente não há homens no país, mas existe banco de sêmen, que contém quantidades incríveis de gametas masculinos. Se for assim, podemos supor que a mulher que deu à luz seja a última que restou antes do nascimento de sua filha, e ir adiante supondo também que ela irá ter uma fazenda de criação de humanos. Se algo a impedir de criar a fazenda, ela vai para o vizinho Zarabequistão do Oeste, mais pobre e com maior taxa de natalidade, onde ainda restam alguns homens e mulheres cientes da importância da procriação.

Podemos estender essa lógica para países que estejam afetados gravemente pela baixa natalidade, com número de mulheres n > 1. Se isso acontecer, o governo desses países irão criar programas de incentivo à procriação, visando  aumentar a população feminina, e aumentando drasticamente o nível de natalidade em geral.

Conclusão: a humanidade não irá acabar por causa do baixo índice de natalidade ou pela falta de mulheres.

Creio que isto dê fim à polêmica, e mostre que mesmo pesquisas feitas pela ONU podem, sim, ser refutadas. Mesmo que esse cenário possa se tornar verdadeiro, o Brasil terá muito a ganhar: seremos uma grande potência econômica, lucrando horrores com a exportação de mulheres.


Ps: quero ver alguém aí tentar falar leste-zarabequistanesa rápido 5 vezes.

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